Sonhar não custa, nem agrava o défice.

Se por um acaso da vida, daqueles acasos que não lembram ao diabo, eu tivesse uma casinha deste calibre, com o terreno que a envolve, a Lola e a Nocas iam ter mais uma data de companheiros. A vida das pessoas é condicionada por muitos factores e a minha  está neles todos… ele é falta de guito… ele é falta de tempo… ele é falta de espaço… mas se não fosse isso tudo a afectar o meu desempenho… eu adorava ter mais uns canitos. Obrigatoriamente teria de ter um casal de Fox Terrier, que são a minha perdição, mas também gostava de ter um casal de Schnauzers Gigantes, que são lindos de morrer e que tomavam conta de toda a gente.

A Nocas foi levar mais uma vacina.

Ontem fomos ao veterinário. Quando digo fomos, quero dizer a Nocas, eu e as minhocas. Foi a primeira vez que entraram num veterinário. Estavam de boca aberta com aquilo tudo. Quiseram saber tudo o que ia acontecer à Nocas. A veterinária é de uma simpatia tal que se dedicou à Nocas e à explicação pormenorizada do que lhe ia fazer, não fossem as minhocas ficarem com dúvidas. Ainda fizeram uma perguntas sobre pulgas, remédios das pulgas que não devem ser tocados quando aplicados (julgavam que era invenção minha… desconfiadas estas minhas filhas…) sobre a dentição da Nocas e, mais importante que tudo, quando é que poderiam levar a Nocas à rua, a passear com a Lola.

Foi muito engraçado ter ido com as minhocas ao veterinário. Ficaram a perceber melhor como as coisas funcionam, ainda foram lá dentro ver uma gatinha bébé e se uma já queria ser veterinária, saíram de lá as duas a acharem que vão ser mesmo veterinárias…

A Nocas entrou na nossa vida. Take 03.

Ainda mais da Nocas. A Nocas é uma revida. Acho que quando crescer mais um bom bocado vai dar água pela barba à Lola. O raio da coisa pequena não tem medo nenhum da Lola e, no meio daquela brincadeira toda, às vezes a coisa descamba e ela rosna, quer ferrar na Lola e não se deixa ficar… Eu confesso que gosto deste feitiozinho de terrier e logo que não façam sangue, não me importo nada de ver estes canitos a refilarem… Depois, depois não pára quieta e só quando está a cair de sono… ela é uma bébé… é que se encosta e prás… dorme, dorme…

A Nocas entrou na nossa vida. Take 02.

Não há nada a fazer. Por estes dias, a Nocas é a protagonista cá de casa. A Lola tem uns ciumezitos mas nada de preocupante pois só os manifesta quando estamos nós presentes… como é obvio… e quando estamos a ver a relação das duas pela janela sem elas se aperceberem, a Lola não lhe faz mal nenhum, apenas continua brutinha a brincar. A Nocas tem tido uma adaptação difícil à ração e só hoje, ao quinto dia, é que deixou de fazer diarreia, por isso já deu para perceber o que tem sido a minha vida… de esfregona na mão… mas o pior já passou. Tal como a Lola, está a comer uma ração indicada para esta raça, sem cereais, uma vez que a maior parte destes canitos pequenos não tolera arroz, massas, batatas e toda essa bateria de cereais que costumam aparecer nas rações normais. Tem duas vantagens: a primeira, e a mais importante, é que assim há menos probabilidade de vir a ter problemas de pele; a segunda é que se aparecerem os problemas de pele, os custos no veterinário disparam… por isso é só fazerem as contas e perceberem que é um excelente investimento dar uma ração de qualidade e apropriada para a raça em questão. Nada como fazer umas pesquisas e ler alguns artigos sobre o assunto.

A Nocas entrou na nossa vida. Take 01.

Eu bem sei que este espaço pertence à Lola… pelo menos… pertencia… Não é que a lola tenha perdido protagonismo, porque não perdeu, mas vai ter de aceitar a presença da Nocas na sua vida e na vida desta casa… e para já só tenho de constatar que a Lola quer mesmo que a Nocas faça parte da vida dela… tal é a vontade de estar com a cachorrinha… que até a deixa tonta de todo. Ontem foi um dia difícil. Difícil de conciliar. Por um lado estávamos todos excitadíssimos com a presença da Nocas, que é realmente uma cadelinha muito bonita e simpática, mas por outro lado estávamos receosos com a reação da Lola, não fosse ela ficar muito ciumenta e traçar a pequenita enquanto o diabo esfrega um olho… A Lola não é uma cadela agressiva, pelo contrário, mas é um bocadito brutinha a brincar e deixa-nos sempre com medo que possa magoar a Nocas. Mas lá foi correndo o dia e a Nocas com tudo no sítio, o que foi muito bom. Pela noitinha todos os santos ajudam porque o soninho das duas bateu mais forte… eu é que não descansei nada de jeito, sempre à escuta de um choro, entretanto, as minhocas e a minha rica senhora… dormiam descansadamente… é a vidinha…

A Nocas já cá canta…

E a vida tem destas coisas. No dia da liberdade, a Lola teve direito a receber uma primaça. É a prima Nocas, de seu nome. Fomos hoje, pela manhãzinha, a casa da minha amiga PCV buscar a Nocas. Conseguimos enganar as minhocas até ao último momento e não descobriram que era mesmo hoje que íamos buscar a Nocas. O dia tem sido uma excitação completa e a primaça trouxe uma nova dinâmica à casa. A Lola está que nem pode e não pára de se meter com a Nocas. A Nocas, por sua vez, não é flor que se cheire e vira-se à Lola. A coisa promete… No meio disto tudo, as minhocas só pensam em pegar na Nocas ao colo e começam a resmungar porque uma está mais tempo do que a outra com a Nocas ao colo… isto com a Lola aos saltos para ver se chega à Nocas… uma alegre confusão, portanto. No meio disto tudo, a minha rica senhora vai fazer um bolo mármore… para ver se a coisa acalma…

Está quase, quase.

Cá em casa já não se aguenta o tempo que falta para irmos buscar a Nocas. Estamos todos mortinhos que chegue o tempo certo para a cadelinha poder sair da mãe. Estas coisas obedecem a prazos que não devem ser ultrapassados, sob pena da cachorrinha poder vir a sofrer . Por isso, vamos aguardar e até vamos preparando a sua chegada. Logo no primeiro dia iremos ao veterinário, fazer a sua ficha, vacinar e desparasitar. Durante esta semana vou mandar vir a ração própria para ela, tendo em conta a especificidade desta raça. E depois… esperamos!

Bull Terrier e companhia…

Assim à primeira vista, a imagem é um pouco violenta (nossa, que biolêência…). Aliás esta conjugação é fatal. Um Bull Terrier, um rapaz cheio de tatuagens e uma moçoila com meias de rede, todos juntos, juntos a uma roulote, no meio de um descampado qualquer… torna-se meio assustador… Claro que esta fotografia é encenada. Peter Kemp é o autor. O seu trabalho pode ser visto aqui. Tirando a encenação, tudo isto pode ser verdade, mas também pode ser mentira. Das personagens humanas tudo pode acontecer e tudo se pode esperar. Do Bull Terrier, tirando as linhagens mais ou menos agressivas, é tudo uma questão de ensinamento e treinamento. Digo eu, que não percebo nada do assunto mas vou ouvindo quem sabe. Os cães são muitas das vezes o reflexo das relações que desenvolvem com os seus donos. No caso do Bull Terrier acho mesmo que é só o ar assustador daquela cabeça e daquele corpo musculado que leva as pessoas a acharem que é um cão mau. Eu não acho nada, mas isso sou eu.

Obrigado P.C.V.

Não dá para acreditar, pois não? Eu também não queria acreditar. Mas agora acredito. Esta bolinha branca vem cá para casa. Sim, é igualzinha à Lola e é uma fofinha. Já estivemos com ela ao colo e só dá vontade de a trazer para casa… mas não pode ser porque ainda só tem um mês… é bébé de todo… e até dá vontade de a comer… As minhocas cá de casa adoraram e foi a primeira vez que estiveram com uma cachorrinha tão pequenina nas mãos, é que a Lola veio cá para casa já com quatro meses. Esta belezura vai-se chamar Nocas, a feiticeira. Já estamos completamente enfeitiçados por ela e tenho a certeza de que vai ser uma excelente companheira para a Lola, para as minhocas, para a minha rica senhora e para mim. Sê bem vinda Nocas!

A Lola e a Páscoa.

A Lola é como eu. Não ligamos nada à Páscoa. Aquilo não nos diz nada. Muita gente vestida de roxo, os olhares pesados, pouco brincalhões. Uma seca. E depois vão muitas pessoas andar, todas viradas para o mesmo lado, em silêncio. Parecem trengas, mas pronto, a Lola nesse aspecto também é como eu, não ladra e respeita quem segue nas procissões… ainda por cima vão carregados com umas senhoras e senhores que não se mexem…

Depois há a parte da doçaria. A Lola, tal e qual eu, não deve comer doces. Aliás, não pode, então chocolate é que não pode mesmo porque é veneno para os cães e eu, como sou solidário com a Lola, também faço por não comer. Para que ela não se sinta triste…